O Tribunal de Contas da União (TCU) promoveu, nesta terça-feira (27), o webinário “Estudos de Casos em Eficiência Hospitalar e nas Redes de Atenção à Saúde: Integração dos níveis de atenção em uma macrorregião de saúde – o caso do Cariri (CE)”. O encontro integra a série de debates do projeto Eficiência na Saúde, iniciativa voltada ao aperfeiçoamento da gestão e à melhoria da qualidade dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O debate apresentou a experiência do projeto De Braços Abertos, da Secretaria Estadual da Saúde do Ceará, com apoio técnico do Conass e de seus parceiros na macrorregião do Cariri, desenvolvida a partir da metodologia da Planificação da Atenção à Saúde. A iniciativa busca fortalecer a integração entre os diferentes níveis de atenção, organizar os serviços de forma regionalizada e ampliar a capacidade de resposta do SUS às necessidades da população.
Para Alexandre Giraux Cavalcanti, auditor chefe da Unidade de Auditoria Especializada em Saúde do TCU, os estudos de caso são importantes para identificar e disseminar experiências que contribuam para a eficiência e a qualidade da assistência. “Os estudos de caso têm sido feitos ao longo dos últimos anos, reunindo boas práticas identificadas pelo doutor Welfane e também indicadas por outros especialistas do SUS. O intuito é trazer uma boa prática que possa ser interessante para a eficiência e a qualidade da atenção à saúde”, destacou.
O consultor da Planificação, Welfane Cordeiro, ressaltou a importância da experiência do Cariri para o fortalecimento das redes de atenção no país. “O Cariri é mais uma das experiências da Planificação. É uma experiência mais ampla, que foi ampliada nesa região, aprofundando essa experiência de rede no SUS e do País”, afirmou.
Cariri é referência na organização regional da assistência
Durante o webinário, a assessora técnica do Conass e coordenadora nacional da Planificação, Maria José Evangelista, apresentou as características da macrorregião e explicou como a Planificação tem contribuído para a organização integrada dos serviços de saúde. Segundo ela, a dimensão territorial brasileira e a autonomia dos entes federativos tornam a articulação entre gestores um elemento essencial para garantir a integralidade do cuidado. “A organização regionalizada da assistência é fundamental em um país de dimensões continentais, como o Brasil, onde a articulação entre União, estados e municípios é essencial para garantir o acesso da população aos serviços de saúde”, ressaltou.
A macrorregião do Cariri reúne 45 municípios, distribuídos em cinco áreas descentralizadas de saúde, e atende aproximadamente 1,5 milhão de habitantes. Conforme os dados apresentados por Maria José, 96,7% da população depende exclusivamente do SUS. A região conta com policlínicas, centros de reabilitação e 27 hospitais, além de um Plano Regional de Saúde para o período de 2023 a 2027.
A assessora explicou que a experiência foi estruturada para funcionar como um laboratório de implantação integrada das redes de atenção à saúde. A proposta vai além da regionalização dos serviços, buscando organizar o cuidado de forma articulada, a partir das necessidades prioritárias da população e das características de cada território. “Não basta só regionalizar, mas também trabalhar por rede. É uma forma de ir aos poucos organizando todas as necessidades das pessoas, começando, obviamente, por aquilo que é prioritário”, explicou Maria José.
No Ceará, a iniciativa contempla outros municípios e regiões do estado, mas a macrorregião do Cariri foi escolhida como experiência piloto para a implantação integrada da rede de atenção à saúde.
Entre as prioridades estão a atenção materno-infantil, o cuidado à pessoa idosa, as doenças cardiovasculares e a organização dos serviços de urgência e emergência. A definição dessas áreas considera a necessidade de prevenir mortes evitáveis, responder ao envelhecimento da população e garantir maior continuidade do cuidado entre os diferentes níveis de atenção. “Começamos pela atenção materno infantil porque, infelizmente, ainda morrem muitas mulheres e crianças por causas evitáveis, como cuidados pré-natais adequados, assistência ao parto e manejo de afecções perinatais. Também temos a questão da pessoa idosa, porque nossa população está envelhecendo, além das doenças cardiovasculares e da urgência e emergência”, destacou a assessora técnica.
A experiência do Cariri evidencia a importância da cooperação entre gestores e serviços de saúde para organizar os fluxos assistenciais, fortalecer a integração entre a Atenção Primária à Saúde e a atenção especializada e qualificar o atendimento à população. Ao compartilhar o estudo de caso, o TCU amplia o debate sobre estratégias de gestão que podem contribuir para a eficiência do SUS e inspirar iniciativas em outras regiões do país.
Fonte: www.conass.org.br

