Prontuário eletrônico: o que é, como funciona e como ajuda a tornar o atendimento mais seguro

Entenda como o prontuário eletrônico reúne as informações do seu histórico de saúde, protege sua privacidade e traz mais agilidade e segurança aos profissionais na hora de tomar decisões.

Imagine ir ao pronto-socorro ou a outro serviço de saúde, e o profissional conseguir consultar rapidamente seu histórico clínico, os medicamentos que você utiliza, alergias, exames e internações anteriores. Essa é a proposta do prontuário eletrônico, um recurso cada vez mais presente nos hospitais brasileiros.

Junto a essa transformação digital, também surgem dúvidas. O prontuário eletrônico é melhor que o de papel? Minhas informações estão realmente protegidas? Quem pode acessar? É possível corrigir um dado registrado? E como funciona o compartilhamento desses dados entre diferentes instituições e profissionais de saúde?

Para responder a essas e outras perguntas, conversamos com Valéria Pinheiro, Chief Medical Information Officer (CMIO) e gerente de Relacionamento TI Médico do Einstein Hospital Israelita.

Boa leitura!

O que é o prontuário eletrônico? 

O prontuário eletrônico é o registro digital das informações relacionadas à saúde de uma pessoa. Nele ficam reunidos dados como consultas, diagnósticos, exames, medicamentos prescritos, procedimentos, internações e a evolução registrada pelos profissionais que acompanham o paciente ao longo do atendimento.

Assim, ele pode substituir o prontuário em papel.

Quais são os benefícios do prontuário eletrônico para os pacientes?

Ao reunir o histórico do paciente em um sistema digital, o prontuário eletrônico ajuda os profissionais a compreenderem o quadro clínico e darem continuidade ao atendimento, mesmo quando diferentes integrantes da equipe participam da assistência.

Entre as principais vantagens estão:

  • acesso rápido ao histórico de consultas, diagnósticos, exames e tratamentos, mesmo quando diferentes profissionais participam do atendimento;
  • apoio às decisões clínicas, oferecendo informações importantes no momento do cuidado;
  • melhor comunicação entre médicos, enfermeiros e outros profissionais da equipe;
  • registros legíveis, que eliminam dificuldades causadas por anotações manuscritas;
  • informações organizadas, reduzindo o risco de repetição desnecessária de exames e de falhas relacionadas ao histórico do paciente;
  • acompanhamento mais completo da evolução clínica ao longo do tratamento.

Para o paciente, o principal ganho é receber um cuidado mais seguro e coordenado, ou seja, uma assistência em que toda a equipe médica atua de forma conectada.

Quando a informação correta está disponível para o profissional certo, no momento certo, reduz-se o risco de repetição desnecessária de exames, falhas de comunicação e decisões tomadas com histórico incompleto”, completa Pinheiro.

Quais outros benefícios o prontuário eletrônico oferece?

Ele não é apenas uma ferramenta de documentação; ele é parte da infraestrutura de cuidado, gestão clínica e aprendizagem institucional”, explica Pinheiro.

Isso significa que, além de apoiar o trabalho das equipes de saúde, os dados registrados ajudam os hospitais a avaliar a assistência prestada, reconhecer pontos que precisam ser aprimorados e adotar melhorias.

No entanto, para que esses benefícios sejam alcançados, o prontuário eletrônico precisa estar inserido em uma estrutura que combine tecnologia, processos bem definidos, políticas claras e profissionais capacitados.

O prontuário eletrônico é seguro?

Diferentemente do prontuário em papel, o ambiente digital permite controlar quem acessa as informações e acompanhar como elas são utilizadas por meio de mecanismos como:

  • definição de diferentes níveis de acesso para cada profissional;
  • autenticação dos usuários antes da consulta ao sistema;
  • registro de quem acessou o prontuário, quando isso aconteceu e quais dados foram consultados;
  • monitoramento para identificar acessos inadequados;
  • auditorias para verificar o uso das informações.

Esses recursos só produzem resultados quando fazem parte de uma estrutura permanente de proteção de dados, que reúne políticas claras, capacitação das equipes e revisão contínua dos riscos”, reitera Pinheiro.

Essa abordagem também está alinhada à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (a LGPD), que estabelece regras para o tratamento de dados pessoais no Brasil e classifica as informações de saúde como dados pessoais sensíveis, que exigem maior proteção.

Por isso, a adequação à lei não deve ser encarada como uma iniciativa com começo, meio e fim, mas como um compromisso permanente das instituições de saúde. 

O objetivo é garantir que a informação esteja disponível para quem precisa cuidar do paciente, no momento adequado, sem renunciar ao sigilo e à segurança“, completa. 

Quem pode acessar meu prontuário eletrônico?

O paciente tem o direito de solicitar acesso às informações registradas em seu prontuário pelos canais definidos pelo hospital, clínica ou outra instituição de saúde que tenha lhe atendido.

Antes de liberar o acesso, a instituição confirma a identidade de quem fez o pedido para proteger a privacidade e o sigilo dessas informações.

O acesso do paciente aos seus dados fortalece a autonomia, a confiança e a participação no próprio cuidado“, afirma Pinheiro.

A instituição de saúde ou o profissional responsável pelo atendimento é responsável pela guarda do prontuário. O acesso é restrito ao paciente, ao seu representante legal e aos profissionais que precisam consultar essas informações para prestar o cuidado e garantir a continuidade e a segurança da assistência.

Há, porém, ressalvas: cada profissional pode consultar apenas as informações necessárias para exercer sua função, conforme seu perfil de acesso, e toda consulta ao prontuário é controlada, monitorada e pode ser auditada pela instituição.

Posso corrigir informações do meu prontuário eletrônico?

Sim, mas isso depende do tipo de informação que precisa ser corrigida.

Se o erro estiver em dados cadastrais, como nome, endereço ou telefone, a atualização pode ser solicitada à instituição de saúde.

Já os registros clínicos seguem regras diferentes. “Eles são documentos assistenciais e legais. Por isso, quando um registro precisa ser corrigido ou complementado, a alteração é feita no próprio prontuário, preservando o histórico”, explica Pinheiro. Isso permite identificar quem realizou a alteração, quando ela foi feita e qual dado foi corrigido ou complementado.

Esse procedimento ajuda a preservar a confiabilidade do prontuário e a rastreabilidade das informações registradas.

Como funciona o compartilhamento do meu prontuário entre hospitais?

O fato de os serviços de saúde poderem compartilhar informações não significa que um hospital tenha acesso a todo o prontuário de um paciente em outra instituição.

Em geral, os dados são compartilhados quando isso é necessário para dar continuidade ao cuidado, como em transferências, encaminhamentos ou quando o próprio paciente solicita o envio das informações.

Nessas situações, apenas os dados necessários para aquela finalidade devem ser disponibilizados, sempre com respeito à privacidade do paciente e ao sigilo das informações.

Compartilhar dados em saúde não significa abrir informações sem critério, mas permitir que a informação necessária acompanhe o paciente de forma segura, ética e proporcional“, reforça Pinheiro.

No Brasil, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde, é a plataforma criada para permitir uma integração padronizada e segura entre serviços públicos e privados.

Nesse sistema, determinados registros de saúde disponíveis na rede são compartilhados de acordo com as regras de acesso e segurança, de forma que essas informações não fiquem totalmente expostas para todos os hospitais.

Perguntas frequentes sobre prontuário eletrônico

1- Os dados de saúde do meu prontuário estão protegidos?

Sim, desde que a instituição adote medidas de segurança, como controle de acesso, autenticação dos usuários, monitoramento, auditorias e uma política permanente de proteção de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

2- Quem pode consultar o meu prontuário eletrônico?

O próprio paciente, seu representante legal e os profissionais ou áreas da instituição que tenham necessidade legítima relacionada ao cuidado, à continuidade da assistência e à segurança do paciente.

Cada profissional acessa apenas as informações necessárias para exercer sua função.

3 – Como faço para acessar meu prontuário?

O paciente pode solicitar acesso às informações registradas em seu prontuário pelos canais definidos pela instituição de saúde. Antes de liberar a consulta, a instituição confirma a identidade de quem fez o pedido para proteger a privacidade e o sigilo dessas informações.

4- Posso corrigir informações do meu prontuário?

Depende do tipo de dado. Dados cadastrais podem ser atualizados pela instituição de saúde. Já os registros clínicos não são apagados: quando uma informação precisa ser corrigida ou complementada, a alteração é registrada de forma a preservar o histórico e a rastreabilidade do prontuário.

5- Outro hospital pode acessar meu prontuário?

Não livremente. O compartilhamento acontece apenas quando há uma finalidade relacionada ao cuidado, como transferências entre serviços, encaminhamentos ou quando o próprio paciente solicita o envio dessas informações.

Nesses casos, somente as informações necessárias são compartilhadas, com respeito à privacidade e ao sigilo.

6- Quais são as vantagens do prontuário eletrônico?

O prontuário eletrônico contribui para um atendimento mais seguro e coordenado. Quando os profissionais têm acesso às informações necessárias no momento do atendimento, reduz-se o risco de repetição desnecessária de exames, falhas de comunicação e decisões tomadas com histórico incompleto. 

Fonte: www.anahp.com.br

Noticias Relacionadas

Categorias

Redes Sociais